Tuesday, May 09, 2006

Máquina do tempo

Sentada em uma poltrona, uma mocinha ocupa-se em contemplar o vazio. Inesperadamente uma misteriosa sombra surge a sua frente. Aos poucos, a figura espectral torna-se nítida e assume as formas de um homem.
- Olá, habitante do passado! Não se assuste com minha repentina aparição. Eu vim do futuro, ansioso por conhecer a decadência do passado. Antes devo avisar que corro um grande risco, pois é expressamente proibido o contato com moradores do passado. Pelo menos é o que nos ensinam antes de nos dar os capacetes temporais, na escola de viagens no tempo. Só que nada pode frear minha curiosidade intelectual. Eu esperei o professor ir ao banheiro e ajustei meu controle remoto temporal para sua época. Mas agora tenho que ir, o professor não deve demorar no banheiro. Adeus!
O viajante do tempo desaparece. Minutos depois a sombra enevoada surge e o viajante do futuro reaparece.
- Céus, como fui imprudente! O futuro está de pernas pro ar! Nunca pensei que uma interferência mínima no passado poderia acarretar tantas mudanças. Por que não dei ouvido aos professores? Eu lhe suplico, moça, esqueça o que se passou hoje. É nossa única chance de corrigir o futuro.
Ele desaparece novamente apenas para reaparecer segundos depois.
- Tente esquecer com mais vontade, não está funcionando. Ah, o que eu fui fazer? Ajude-me, o destino da humanidade está em suas mãos. Tente esquecer, tente esquecer...
Desaparece. Contudo, a sombra espectral volta a aparecer, dessa vez trazendo dois novos visitantes.
- Olá, habitante do passado! Não se assuste, somos a Polícia do Tempo. Viemos alerta-la que a senhorita acabou de receber a visita de Toninho Buscapé, um famoso vigarista do futuro. Estamos há meses atrás dele, infelizmente sem sucesso. A senhorita poderia nos dizer para que lado ele foi?
Silêncio.
- Senhorita? Gostaríamos de sua colaboração, Toninho Buscapé é um bandido perigoso.
- Ela parece paralisada, chefe.
- Senhorita? Senhorita?
O policial começa a cutuca-la. Um cutucão mais forte acaba por derrubar a cabeça da moça, revelando que a “mocinha” na realidade é um manequim.
- Um boneco! Droga, ele nos enganou de novo.
- Puxa chefe, o que faremos agora?
- Continuar nossa procura! Vamos, ajuste seu controle remoto temporal!
E desaparecem.

Wednesday, May 03, 2006

Viagem à lua

Mais uma aventura de Jack Risonho

Antes de partir para a missão de sua vida, Jack se despede da fogosa Anita.
- Querida, estou indo. Talvez esse seja o nosso último beijo.
- Oh querido, Gostaria tanto de ir com você.
- Sinto muito, meu bem. Mas eu vou ao desconhecido. Uma viagem à lua pode ser muito perigosa, nunca se sabe o que podemos encontrar por lá. E além disso, não me agrada dividir as honras de uma viagem ao espaço com um mulher.
- Sim, eu entendo...
Os dois se beijam calorosamente e Jack se sente pronto para enfrentar todos os perigos do espaço.
Em seguida, Jack e seu co-piloto Mark Nanico recebem o Presidente que oferece a dupla dez quilos de amendoim.
- Agradecemos muito, senhor Presidente. Mas a nave já está lotada com equipamentos para as experiências.
- E por que diabos alguém faria experiências no espaço quando é muito mais fácil fazer aqui mesmo? Livrem-se disso. Enquanto presidente, não vou permitir que alguém faça uma viagem longa como essa sem uma decente provisão de amendoins.
Após os novos preparativos os astronautas entram na espaçonave e tem início a contagem regressiva:
4...3...2...1...
- Droga, esqueci meu canivete suíço da sorte.
Uma forte explosão lança a nave ao espaço e os corajosos astronautas têm a chance de contemplar a vastidão do universo.
- A decolagem foi um sucesso. Podemos enfim relaxar.
- Vamos comemorar. Pegue um charuto no compartimento dos charutos. O baralho também deve estar por lá – pede Mark.
Jack se dirige a despensa sem saber que uma grande surpresa o espera.
- Buuu!
- Anita! O que você está fazendo aqui?
- Desculpe, Jack. Mas não podia deixá-lo partir sem mim. Aproveitei quando ninguém estava vendo e me escondi aqui.
- É melhor apresentá-la ao resto da tripulação. Este é Mark Nanico, meu rude co-piloto.
- Sim, o espaço me agrada porque aqui eu não preciso tomar banho.
- Creio que seja tarde demais para expulsa-la. Acho que teremos uma convidada, Mark.
- Não se preocupe, Jack. Essa nave estava precisando mesmo de um toque feminino. Tenho certeza que ela achará um espanador em algum lugar
“Como é grosseiro!”, reflete Anita, “mas devo admitir que me sinto estranhamente atraída pelo seu jeito rude”.
Contudo a rotina da nave diminuiu aos poucos o ânimo de Anita.
- Como essa viagem é chata. Posso dar uma volta lá fora?
- Você está louca?! Você não foi devidamente treinada. Eu e Mark ficamos dois dias inteiros só para aprender a amarrar os sapatos do traje espacial. Você só sai daqui quando voltarmos a Terra - sentencia Jack.
“Quem ele pensa que é para me dar ordens? Vou mostrar que sei me cuidar. Os astronautas não são os únicos capazes de andar no espaço”. Anita espera um momento de distração para vestir o escafandro espacial e sair da nave. Seu atrevimento resultou numa parada desnecessária da nave, a saída de Jack para busca-la e não contabilizou nenhuma aventura sequer, apenas a fúria de Mark Nanico:
- Sua garota mimada idiota! Você tem idéia da importância dessa missão?
- E que importância pode ter aquele pedaço de rocha inútil que é a lua?
- Sua tola. Aí está uma coisa que alguém com sua educação refinada e mania de dizer obrigado nunca vai saber. Nem tudo na vida são boas maneiras, garota. Vou lhe explicar o que nos espera: Nossas pesquisas confirmaram que há gelo na lua. Esse gelo garantirá nossa sobrevivência, pois ficaremos muito tempo lá. E sabe por que? É que esse “pedaço de rocha inútil” nada mais é que uma grande mina de ouro. Saímos da Terra como simples astronautas, mas voltaremos como milionários.
- Isso é o que você pensa, camarada - contradiz uma misteriosa, porém familiar voz.
- Lili Labareda!
Sim, Lili Labareda! A sedutora espiã de cabelos negros oriunda de uma potência hostil.
- Como você entrou aqui? – pergunta Jack.
- Há anos meu país vem desenvolvendo técnicas sofisticadas de espionagem. Descobrimos que sai muito mais barato que pesquisas espaciais e a diversão é garantida. E vocês, seus porcos capitalistas, sua arrogância os tornou descuidados e bastou um momento de distração para que eu entrasse nesta nave sem ser vista.
- Então é por isso que você não queria a minha presença aqui, para poder ficar sozinho com essa sirigaita estrangeira.
- Eu nem mesmo sabia que ela estava aí.
- Temos que ter cuidado, ela está armada. E com uma de nossas pistolas.
- Vocês trouxeram armas?
- Ninguém seria louco o suficiente para viajar ao espaço sem armas, querida.
- Maldição! Tem mais alguém escondido na porcaria dessa nave? – pergunta Mark.
- Eu!
- Professor Mesquitinha! – exclamam Jack e Mark. - O que o senhor está fazendo aqui?
- Eu passei anos e anos estudando uma forma segura do homem ir a lua, e agora que construí essa espaçonave me disseram que eu estava velho demais para fazer a viagem. A decepção foi muito grande. E quando vi duas belezocas entrando sorrateiramente na nave imaginei que vocês planejavam farrear as minhas custas. Eu não poderia suportar mais essa decepção. Assim, mesmo contrariando ordens médicas, eu me escondi aqui.
- Bem Professor, você fará companhia a seus amigos nessa viagem só de ida. Espero que agora não tenha mais ninguém escondido aqui.
- Dã, eu não queria falar nada, mas já que vocês perguntaram, eu também estou aqui.
- Ney Régua de Cálculo! Você é o responsável pelo controle da missão, o que está fazendo aqui?
- A vida na Terra é tão solitária quanto desprovida de glamour. Quero ser um astronauta, viver no espaço entre princesas seminuas de outros planetas.
- E a reserva de oxigênio? Essa nave foi feita para dois tripulantes.
- Vocês têm coisas mais urgentes para se preocupar, camarada. Meu objetivo é levar essa nave até a lua, depositar meu delicado pé de espiã no solo lunar, proferir uma frase espirituosa e voltar ao meu país para colher todas as glórias. Suas vidas não estão nos meus planos. Irei amarra-los, deixando-os sem água nem comida, e os esquecerei. Adeus.
Alguns minutos depois, nossos heróis começam a sentir os efeitos do jejum forçado.
- Cigarro... cigarro... preciso de um cigarro!
- Querida, acorde. Mark já começa a delirar, mas temos que ser fortes.
- Oh, Jack! Sonhei que jantava o meu próprio pé... Por que me acordou?
- Parece que esse é o fim, querida. Gostaria que você estivesse consciente nesse momento. Eu me pergunto se algum dia o homem realizará o sonho de pisar na lua...

Conseguirá Jack escapar dessa armadilha mortal? E por que Anita lança esses olhares provocantes para Mark?Dará alguém a mínima para Ney Régua de Cálculo? E Lili Labareda? Realizará seus planos diabólicos? Todas as respostas no próximo e eletrizante capítulo!