Wednesday, September 10, 2008

O cartola Adelino

Essa é do Grande Livro de Curiosidades, Gírias e Charivaris do Futebol Brasileiro, do acadêmico Alvarenga Maxambomba. Diz que em 1986, o cartola Adelino Palhares Marca D’água ao levar as crianças ao cinema (o filme era “Os Trapalhões e o rei do futebol”) foi assaltado por uma idéia que mais tarde descreveu como “de virar o miolo”.
- Preciso achar esse Cardeal*! Eu quero esse roupeiro! Eu exijo esse roupeiro! – berrou tresloucado, assustando a criançada no cinema.
No dia seguinte o cartola procurou a Renato Aragão Produções & Trapaiada Ltda., entrou no Khalil M. Gebara e encomendou as faixas de campeão, escreveu cartas anônimas ameaçadoras, deu 500 cruzeiros para o jornaleiro “facilitar as coisas, sabe, um penaltizinho aqui outro ali”.
Quando a história chegou a imprensa foi um alvoroço. Para evitar gozações que abalassem a carreira profissional do cartola (Adelino era também médico de renome) a família alegou abalo emocional devido ao divórcio que Adelino movia contra sua esposa Juventina Marca D’água. Convencida pelos filhos e advogados, a abnegada Juventina aceitou o divórcio como manobra para justificar os atos do marido. “Divórcio de aparências, pra despistar, não atrapalhar as negociações” dizia Adelino com uma piscadela.
Hoje, mais de vinte anos passados, Adelino é figura fácil na Avenida Rio Branco, sempre com sua toga e sua pequena harpa, benzendo os passantes.

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* Para os que não lembram, Cardeal (Didi Mocó) era o roupeiro do Independência Futebol Clube promovido a técnico por mutreta dos dirigentes. Teve uma insuspeitada carreira vitoriosa e quase se arruma com a Luiza Brunet no final.