Friday, April 18, 2008

Como fazer?...

Como fazer um quadro à moda de Milão

Ingredientes:
Uma fotografia de uma paisagem tipicamente milanesa
Material de pintura (tela, cavalete, tintas, pincéis e uma boina basca)
2 ovos batidos
Farinha de rosca

Coloque a boina basca na cabeça. Olhe-se no espelho até que se sinta apto a criar sua obra-prima. Use seus dons artísticos para transformar a paisagem milanesa em arte. Concluído o quadro, mergulhe-o no ovo batido e, em seguida, cubra-o com a farinha de rosca. Pronto, agora só falta fritar. Serve de três a quatro pessoas, dependendo do apetite.

Como acabar com a baderna em presídios

Você vai precisar de:
Um presídio repleto de desordeiros
Heroísmo temerário

Reúna a corja de malandros num só lugar. Encare-os com o olhar de quem afronta a morte com um sorriso despreocupado. Dê uma longa palestra utilizando em larga escala o exemplo dos mártires. Em seguida, inicie-os nos prazeres da filatelia. Após convencê-los, distribua aos presentes o material necessário para uma próspera e longeva carreira no mundo da filatelia. Parabéns, você não só criou paz como deu uma ocupação para mais de dois mil indivíduos, que serão eternamente gratos.

Como transformar seu abajur numa árvore de natal (e economizar com isso)

Ingredientes:
Um abajur
Rolhas de vinho
Alguns trocados

Munido de seus trocados, vá até uma banca de jornal e compre quantas figurinhas achar necessário. Escolha as figurinhas mais transadas, como as do “Pafúncio e Marocas” e as do “Fantasma Voador”. Recorte as figurinhas em formas circulares e de estrelas e cole-as envolta do abajur. Faça um presépio com as rolhas de vinho, escrevendo em cada uma o nome que elas irão representar (exemplo: José, Maria, Baltazar, Gaspar, Melchior, uma vaca, um burrico etc.). Para o menino Jesus corte uma rolha ao meio e deixe-a deitada em volta das outras rolhas em adoração. Pronto, sua decoração natalina custou-lhe míseros trocados. E lembre-se, economia significa: mais cigarros!

Thursday, April 03, 2008

O show dos Inconfidentes

(Reciclando esquetes desde 1789)

Tiradentes está sentado, muito aborrecido, num café na rua do Ouvidor(*). Entra Cláudio Manuel da Costa, satisfeito por encontrar seu companheiro de conspirações.
Cláudio Manuel da Costa: Ó Tiradentes, porque não foste à casa do Gonzaga ontem?
A resposta de Tiradentes é um gemido de angústia.
Cláudio Manuel da Costa: Perdeste um banquete e tanto! Conspiramos como nunca!
Tiradentes, que vivia uma quaresma forçada graças a uma úlcera, estremece.
Cláudio Manuel da Costa: De entrada tivemos uns deliciosos pastéis de pombo.
Tiradentes se contorce na cadeira.
Cláudio Manuel da Costa: Depois um caldo de miolos magnífico.
Aquilo só podia ser brincadeira. Castigo igual a esse só os que o próprio Tiradentes infligia em seus pacientes.
Cláudio Manuel da Costa: Em seguida: lampreias à la Mirandão. Esplêndido!
Tiradentes revira os olhos e saliva abundantemente.
Cláudio Manuel da Costa: E de sobremesa, ah meu amigo, de sobremesa tivemos...
Tiradentes não se controla e ergue-se possesso.
Tiradentes: Diga doce de moela que eu te parto a cara!
A platéia aplaude o destempero de Tiradentes.

Nota
(*) Invencionice visando aproximar o leitor da estória.