Thursday, August 28, 2008

O incrível Hulk

Ao tentar descobrir a fórmula de um drops de hortelã muito mais refrescante, o cientista Bruce Banner recebeu acidentalmente uma dose excessiva de raios gama, alterando a química de seu corpo. Agora, sempre que Bruce Banner se sente irritado ou frustrado, uma bizarra transformação ocorre. Graças a sua compleição única, a criatura é incansavelmente perseguida por Jack McGee, um pintor excêntrico que deseja utilizar o Hulk como modelo para mais uma de suas obras incomuns.

Bruce Banner está em Cachoeira do Itapemirim, vagando pela cidade a procura de um emprego quando é abordado por um criminoso armado.
- A bolsa ou a vida!
- Não me irrite, senhor malfeitor. Você não gostaria de me ver irritado.
- Vamos, seu babaca. Libera a gaita ou te arrebento os miolos.
- Não me irrite, estou te dizendo.
- Passa tudo passa tudo!
O bandido corre com o conteúdo da carteira de Bruce Banner.
- Se eu me irritar você vai se arrepender. Não vai gostar nem um pouco. Não vai mesmo. Pode apostar... Pelo menos ele não levou meu vale-refeição. Preciso aprender a controlar essa fúria irracional que habita meu ser.
Bruce Banner entra no restaurante mais próximo tentando conter a força que o atormenta.
- Um bife com fritas e uma limonada, faz favor.
O couvert é servido. Bruce Banner estremece ao vê-lo. Começam as contrações musculares que prenunciam a metamorfose e Bruce Banner cai no chão levando a mesa junto. Os outros clientes já estranham.
- Que papelão.
- Deve estar maconhado.
E o gigante verde surge com um brado de ódio:
- O Hulk não gosta de berinjela!
Tem início o quebra-quebra, acabando com a reputação familiar do restaurante para sempre. Minutos depois Bruce Banner está com as roupas em frangalhos, paralisado pela ressaca pós-transformação, incapaz de reparar em Jack McGee com um cavalete armado em sua frente:
- Finalmente consegui captar todo o esplendor repugnante do Hulk. Ponto pra mim. Muito agradecido, besta da era atômica.

No próximo episódio: Bruce Banner vende bilhetes de loteria em Itapecerica da Serra e o Hulk faz uma aparição e tanto na Convenção dos Estafetas

Tuesday, August 19, 2008

As Olimpíadas de Quetzaltenango

Locutor: Estamos aqui no Ginásio Nacional para a prova de Quem Bate Palma Mais Alto. O recordista da prova, o atleta ucraniano Boris Zavarov, recém recuperado de uma contusão, está se aquecendo. A expectativa é de quebra de recorde olímpico. Os juizes já estão a postos com suas cornetas acústicas. Vai começar a prova! Lá vai o campeão para sua primeira tentativa. Olha a fera, pronto para mais uma proeza épica. Vai bater palma! Que estouro! Deu pra ouvir daqui! Lembrando que o som de sua palma é capaz de causar a surdez permanente em um pequeno inseto. Veja todos os detalhes no repeteco em super câmera lenta. Que técnica! Zavarov se prepara para sua segunda tentativa e... opa, algo de errado aconteceu. Zavarov parece estar sentindo um estiramento, talvez uma fratura ou uma micose nas unhas. Zavarov cai no chão estrebuchando de dor. Acompanhe o drama desse Titã do aplauso! Parece que não vai dar mais para Zavarov. É, não dá mais. Zavarov abandona a prova, banhado em lágrimas. Que pena, uma verdadeira punhalada nas costas aplicada pelo Destino. Vamos agora para as semifinais do bingo com a participante brasileira dona Francelina Camarão de 75 anos. Vamos torcer para que o uso cada vez maior de cigarros mentolados não prejudique seu desempenho. O juiz anuncia o número sorteado: vinte e dois, dois patinhos na lagoa. Francelina marca em sua cartela! Não papou mosca como nas finais do mundial em Estocolmo. Lembrando que mais cedo o brasileiro Graciano Lambari se classificou para a final do dominó, credenciando-se para pisar o mais alto degrau que conduz à imortalidade.

Friday, August 01, 2008

A Casa de Martins Porangaba

- Martins Porangaba viveu nesta casa durante os últimos vinte anos de sua vida. Foi aqui que escreveu suas obras mais conhecidas como “Sermão de ancas largas” e “Ode ao paletó de alpaca”. Esse é o peniquinho de Martins Porangaba . (Por favor, fotos não são permitidas). Essa é uma foto de Martins Porangaba ao lado do penico. Esta é uma reprodução de um detalhe do quadro “Batalha do Avaí” onde vemos Martins Porangaba usando seu penico, uma homenagem de Pedro Américo.
- Posso tirar uma foto da foto do penico?
- À vontade. Ou então o senhor pode comprar uma em nossa lojinha . Passemos para o salão onde Martins Porangaba oferecia um chá dançante para altas figuras do mundo cultural que vinham vê-lo falar sobre atualidades enquanto dançava a polca.
Entra um garoto chorando trazendo a reboque uma outra funcionária do museu.
- Carlos Henrique volta aqui! Desculpe incomodar a visitação dos senhores, mas esse menino escapou quando eu ia acertar uma cacholeta nele.
Os turistas não parecem se incomodar.
- Olha só ele de gravatinha. Parece até um anão.
- Não chora não.
- Ah mostra o penico pro menino.
- Podem tirar foto à vontade. Este é um órfão que treinamos para ser guia do museu, ele será o melhor guia de todos os tempos.
E a outra funcionária:
- Isso se ele parar de chorar, porque esse menino chora por tudo. Chora com saudade da mãe, chora quando tem fígado no almoço, chora quando lê “Meu pé de laranja lima”. Sua mãe te abandonou aqui tá?
- Não sejamos tão ríspidos, ele já fez progressos incríveis. Sabe de cor o “Discurso na Faculdade de Direito, 16 de agosto de 1883”.
O garoto se levanta e, compungido, começa a recitar.
- Dezesseis de agosto de 1883, discurso proferido na Faculdade de Direito em homenagem ao Dia do Almoxarife. “Minhas senhoras, meus senhores: Olho em volta e o que vejo? Vocês, escumalha! Um bando de desfibrados, impúberes, assíduos de rameiras. Tenho o estômago revolto. Ah, virilidade inútil a cultivar perversões como a agiotagem, a burrinha-de-padre e outras abominações inenarráveis. Não foi para isso que agüentamos vinte séculos de Cristianismo. Nas palavras de Cícero: O fortunatam...” quer dizer...
Os turistas não perdoam.
- Errou, errou!
- Você acha que desse jeito algum dia alguém vai querer olhar pro seu penico, acha?
- Companheira, você não estava devendo umas cacholetas nele?
A funcionária corre atrás do menino.
- Continuemos nosso passeio. Passemos para a sala que, junto com as que já passamos, era a predileta de Martins Porangaba, onde fotos também não são permitidas.
Muxoxo geral.


Martins Porangaba foi um jurista, político, moralista, orador, filólogo, granjeiro e hoje é aprazível e arejada praça de Botafogo