Monday, May 18, 2009

Carlindo Briba & Irmão, editores

Carta de Carlindo Briba ao irmão, Vitorino Briba (Bribinha):

Caro Bribinha,
A viagem está rendendo bons frutos? Não se preocupe, pergunto por perguntar, o que motiva esta carta é algo bem mais prazenteiro. Afinal hoje o nosso escritório foi invadido por ninguém menos que o nosso afamado cônego Barcarola. Eu podia jurar que o tratante já havia morrido! A visita foi breve, Barcarola me deu um carão e terminou pedindo dinheiro emprestado. Dei o bastante para evitar uma segunda visita. Antes de se despedir ele afirmou que todo o nosso negócio é inútil, pois só um livro realmente importava. Eu perguntei qual e ele me entregou um exemplar. Não, não era A cabana do Pai Tomás, mas a Bíblia (foi esse o livro que o major Criciúma disse ser o mais vendido do mundo?). Dei uma folheada e pensei em algumas modificações. Os salmos, por exemplo. São muitos e alguns pouco inspirados. Veja o salmo 62: “Está resfriado? Nariz gotejando ou entupido? Tome GRIPALIUM”. Poderíamos substituir estes salmos por anedotas de salão, dando agilidade e diversidade ao texto. O que acha?
Espero você para debatermos o assunto. Volte com saúde e evite constrangimentos.

Telegrama de Bribinha em resposta ao irmão:

TIVE IDEIA MELHOR EXPLICO QUANDO CHEGAR PT ABRACOS

continua...

Wednesday, May 13, 2009

Scenas cariocas da actualidade

I.
Rua Martins Porangaba. O padre para defronte o número 20 (prédio Comendador Caligari) e toca para o 506.
- É daí a possessão?
- É sim. Abriu?
- Abriu.

II.
Comemorações do Dia do Estafeta, entra na avenida a ala dos capoeiras. Muitos vivas da multidão. O porta-estandarte, em meio a piruetas, exibe orgulhoso o lema da associação: “O capoeira não teme ninguém, só casca de banana”.

III.
O Almeirindo, vendedor de frutas no Largo do Capim, sempre com um livro nas mãos. Sempre o mesmo: Lírica, Luís de Camões. Volume castigado pelo manuseio – após atravessar todas as redondilhas, sonetos etc., o Almeirindo na mesma hora recomeçava.
Quando passavam por ele a pergunta era a mesma:
- Como vai o Camões?
- Mal. Reclamando do casamento que não deu certo.